sábado, 14 de abril de 2012

Outro Lado Da Porta



     Ando neste lugar familiar, porém desconhecido, acho que nunca passei por está porta. Será aqui o inferno? Suponho então que todos estavam errados, ele é frio, escuro e silencioso. Olho-me, estou despido, por todo meu corpo a nomes escritos com tinta preta... nomes que fizeram parte da minha vida, sou um pouco de cada um deles, vejo o seu bem aqui sobre meu peito esquerdo.
     Sigo minha caminhada sem rumo, não vejo fim, não vejo nada, só há escuridão à minha frente neste deprimente lugar. Alguns rostos femininos aprecem enquanto ando, mas eles estão tão descoloridos. Não há ternura nesses olhares, não há som nesses sorrisos. Logo a fadiga e a frustração fazem-me deitar um pouco, sinto as ideias encontrando seu lugar em minha cabeça. Noto que deveria haver algo iluminando aquele lugar para que eu pudesse ver nomes escritos em meu corpo. Ao olhar para cima foi seu rosto o que enxerguei nas estrelas, a única fonte de luz que me guiou por essa estrada sem destino. O cansaço está fazendo meus olhos começarem a pesar, pouco a pouco vão se fechando e à medida que isto acontece vejo seu brilho vagarosamente se dissipando e as trevas transformando tudo no mesmo tom. Onde é este lugar?  Parece estar aqui dentro. É para onde corações partidos e almas feridas vão. Bem vindos à solidão.

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