sexta-feira, 11 de maio de 2012

Paredes Pulsantes


    É árduo e confuso chegar onde costumava ser seu aposento e encontrar nada mais do que um lugar vago com as luzes apagadas. Seu guarda-roupas está vazio, mas ainda há vestígios de sua presença aqui. Sento-me na cama onde você se deitava, ela está tão gélida. Este é o calor que tenho de esquecer, o calor que nunca senti me aquecer. Pego seu travesseiro e com ele caminho até centro do deste lugar, deito-me no chão e o aperto com toda minha força, quase já não é possível sentir seu cheiro. No teto vejo momentos que meus olhos conseguiram fotografar e minha mente gravar; risos, sorrisos, caretas, decepções e desilusões. Veja, estou correndo com você em minhas costas agora. A diferença entre fingir que não se importa e não se importar não é encontrada nas atitudes e sim no fato de que em uma delas você está apenas mentindo para si mesmo, e já quase não preciso mentir. Infelizmente você fez questão de ensinar e sem querer comecei a aprender a te perder, te esquecer; reaprender a viver sem você. Tudo que me restou foi a nostalgia do passado e do futuro não alcançado. Saio pela porta e mais uma vez olho para tráz, não, não é só mais um pesadelo. Este é o problema da realidade, você não pode acordar dela. Tranco após muito tempo esta porta, mas não sei onde por esta chave que esteve tanto tempo em sua guarda, por tanto tempo em sua mão, não, não sei onde deixo a chave do meu coração.

2 comentários:

  1. muito bom!!! as palavras ilustram muito bem a cena!

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pelo sei elogio Jean. Gostei muito da sua iniciativa de divulgação dos blogs, já segui alguns de lá, apenas estou esperando retorno. Mais uma vez obrigado.

    ResponderExcluir